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Conhecer o Cólon e o Reto

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Conhecer o Cólon e o Reto

O cólon e o reto, a que chamaremos intestino grosso para facilitar a perceção, tem uma relevância muito maior do que possa parecer à primeira vista. Para além de transportar e armazenar os resíduos resultantes da digestão, e de absorver grande parte da água e de alguns minerais que necessitamos para a vida, é no intestino grosso que reside a maior parte do nosso microbioma, que se estima que seja formado por mais de 1000 espécies e mais de 100 triliões de microrganismos, o que é 10 vezes superior ao número de células humanas em cada pessoa. Estas bactérias têm numerosas funções que começam agora a ser integradas no nosso conhecimento. Sabemos que estão associadas à imunidade individual e a vários aspetos do metabolismo, e que influenciam algumas doenças.

 

O Cólon e o Reto em Portugal e no Mundo

A incidência do cancro do cólon e do reto continua a aumentar, apesar de ter reduzido 30% nos EUA nos últimos 10 anos, nos indivíduos com menos de 50 anos, devido ao aumento do número de colonoscopias como exame de rastreio. Em Portugal, é o cancro com maior incidência: 10270 em 2018; 28 portugueses por dia; 1 a 2 por hora; 1 a cada 70 minutos. Sendo nos homens o 2º cancro atrás da próstata, e nas mulheres o 2º atrás do cancro da mama. Ao nível da mortalidade em Portugal, em 2018 este cancro atingiu 2497 homens e 1764 mulheres: 11,6 por dia; 82 por semana; 2 por hora. No caso da Colite Ulcerosa e da Doença de Crohn, há uma prevalência estimada de até 3 milhões na Europa e de 15.000-20.000 em Portugal.

O Síndroma de Intestino Irritável tem uma prevalência mundial de 11%, afeta 2 mulheres para 1 homem, é motivo de 25% de consultas de gastrenterologia e 12% de consultas de Medicina Geral Familiar, opara além de ser uma causa relevante de absentismo laboral.

 

A Saúde Digestiva do Cólon e do Reto

É fundamental manter uma vida ativa e uma dieta saudável e variada, e restritiva do ponto de vista calórico e também do álcool.

No século XXI já nem deveria ser necessário reforçar a mensagem de que o tabaco deve ser completamente evitado e que deixar de fumar é a mudança mais vantajosa que se pode fazer para a saúde.

O tabaco é fator de risco para vários cancros além do pulmão, como seja o pâncreas, o esófago e o fígado.

Na dieta, menos é mais. Obviamente que o que comemos é importante e devemos manter uma dieta com elevado teor de alimentos não processados, nomeadamente de origem vegetal, como cerais integrais, leguminosas, frutos secos, fruta e outros vegetais. Devemos também ser moderados no consumo de produtos de origem animal, nomeadamente carne e produtos processados como por exemplo charcutaria e salsichas.

O aspeto mais importante no que à dieta diz respeito não é a qualidade, mas sim a quantidade. Sabemos que o excesso de peso está associado a uma menor esperança de vida e a inúmeras doenças fatais como cancro (de quase todos os orgãos), AVCs, enfartes, diabetes, cirrose do fígado ou doenças que prejudicam a qualidade de vida como as osteoarticulares.

Podemos comer apenas alimentos “saudáveis”, mas se errarmos na quantidade é fácil aumentar de peso. Por exemplo, os frutos secos são um excelente alimento com fibra, vitaminas, proteínas e ácidos gordos essenciais, mas são também muito calóricos, pelo que podem inadvertidamente contribuir para um excesso calórico na dieta diária de uma pessoa. Ou seja, a restrição calórica é fundamental para uma vida saudável, longa e com menos doenças crónicas.

Outro ponto fundamental é a evicção alcoólica. Não existe dose saudável de álcool, embora quanto maior a quantidade maior o malefício. O álcool é diretamente tóxico para o organismo e contribui como importante fator de risco para vários cancros como o do esófago, fígado e pâncreas, entre outras doenças. Para além destes efeitos diretos, convém não esquecer que o álcool também engorda. Uma grama de álcool equivale em termos energéticos a quase duas gramas de açúcar.

Não se devem consumir mais de 2 bebidas por dia.

 

Prevenir, Diagnosticar e Tratar

Uma das principais missões da vida de um gastrenterologista é a luta contra o cancro do cólon e do reto. Esta é uma das principais doenças deste orgão e é também o cancro mais frequente entre os portugueses, apesar de sabermos que é um dos poucos evitáveis, através da realização do rastreio com colonoscopia, que permite identificar/diagnosticar e remover/tratar lesões precursoras do cancro. A colonoscopia é um exame único na medida em que permite, ao mesmo tempo, diagnosticar, tratar e prevenir um dos maiores flagelos de saúde pública que ainda não conseguimos controlar no nosso país.

 

Uma curiosidade sobre o Cólon e o Reto

Fazer das tripas coração é uma expressão popular usada quando uma pessoa supera os seus próprios limites, faz o possível e o impossível para conseguir o que deseja. Uma expressão reveladora de que as tripas, neste caso, e cientificamente falando, o intestino grosso, são tão centrais na nossa saúde e bem-estar como o coração.