Saúde Digestiva

O que podemos considerar um trânsito intestinal normal?
Prevenção

O que podemos considerar um trânsito intestinal normal?

24 Mar 2022

O Transito Intestinal

Antes de perceber o que se considera um trânsito intestinal normal, é importante entender em que consiste este processo. O trânsito intestinal corresponde à passagem do conteúdo alimentar digerido ao longo do intestino delgado e do intestino grosso até ser eliminado em forma de fezes. No intestino delgado, este processo demora cerca de quatro a cinco horas, sendo que no intestino grosso, a passagem é mais demorada, durando habitualmente entre 30 e 40 horas, podendo demorar até às 72 horas em indivíduos saudáveis.

O que é considerado um trânsito intestinal normal?

Muitas pessoas vêm como razão de angústia o facto de o seu intestino não funcionar todos os dias. No entanto, será isto um sinal de alarme? Existe um intervalo de tempo que determina a normalidade ou a alteração do trânsito intestinal.

Não deve ser motivo de alarme se estiver neste intervalo: entre as 3 dejeções por dia e as 3 dejeções por semana. No entanto, muitas vezes associado ao trânsito intestinal, existem outros aspetos importantes a analisar. Consistência, cor e cheiro das fezes: três preocupações de muitos indivíduos. É importante realçar que relativamente a estes três fatores, existe uma grande variabilidade dentro do que é considerado o normal.

A consistência das fezes

Como perceber se a consistência das minhas fezes deve ser motivo de alarme? Para responder a esta questão, existe uma escala – a Escala de Bristol – publicada nos anos 90, desenvolvida pelo Dr. Ken Heaton na Universidade de Bristol, que determina os sete diferentes tipos de fezes. Existem várias consistências possíveis, que são consideradas normais.

  • Na zona central da Escala, a vermelho, é possível observar fezes de consistência normal, com um formato mais moldado, que se associam a um processo de evacuação fácil.
  • No limite esquerdo da Escala, na zona azul clara, encontram-se os tipos de fezes mais secas e endurecidas, normalmente associadas à obstipação. Estes tipos de fezes realçam a necessidade de alterar alguns hábitos alimentares.
  • No limite direito da escala, na área azul mais escura, agrupam-se as fezes mais líquidas e pouco formadas, que podem originar um sintoma de urgência evacuatória. Este tipo de dejeções, de textura mais líquida ou até mesmo de diarreia, é frequentemente causado por alguma intolerância alimentar. Se estas fezes corresponderem a situações pontuais, não devem ser motivo de alarme.

A cor das fezes

No entanto, para além da consistência, a cor também é um fator que dita se as fezes são consideradas normais ou razão de alarme, e reflete muitas vezes a alimentação que cada indivíduo consome.

Fezes com diversos tons de amarelo, de verde ou de castanho não devem ser motivo de preocupação. Apenas as fezes pretas ou com um aspeto sanguinolento devem ser razão de alarme. Nestes últimos casos, sim, é importante procurar um médico, para perceber se existe algum problema.

O que fazer para ter um trânsito intestinal normal e saudável?

Existem alguns hábitos que devemos manter, e alguns são simples e acessíveis para incorporar na rotina diária. Alguns dos hábitos mais importantes passam por: beber muitos líquidos (pelos menos dois litros por dia; praticar exercício diário (cerca de 30 minutos por dia); e ter uma alimentação saudável e variada.

Ao nível da alimentação, o que é importante ingerir? Um pouco de tudo, com moderação. No entanto, é aconselhável dar primazia aos vários legumes e frutas, bem como ao peixe. É também importante evitar os produtos processados (como os pré-congelados, por exemplo), e apostar em produtos locais, biológicos, da época e ricos em fibra.  Um último conselho passa por utilizar o azeite como principal gordura na dieta. Concluindo, o mais importante a reter é a importância do balanço e da variedade.

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